A poupança já foi a queridinha dos brasileiros como investimento, mas hoje ela morreu. A colunista Bia Felippini mostra porque isso aconteceu

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Como já conversamos por aqui, infelizmente nosso país carece de iniciativas e incentivos para nos educarmos financeiramente. Não tendo informações suficientes sobre dinheiro e investimentos na escola ou em casa, passamos por gerações sem o valioso conhecimento de saber cuidar do nosso capital.

Esse fator, atrelado à forte desigualdade social de nosso país, tem resultados muito ruins na saúde financeira dos cidadãos: o ano de 2020 começou com 61 milhões de brasileiros com o nome negativado junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Esse número mostra a quantidade significativa de famílias que têm seus cotidianos afetados pela falta de recursos, muitas vezes sem perspectiva de regularização.

Mesmo entre aqueles que não estão negativados, outro problema advindo da falta de educação financeira acontece com frequência: o investimento preferido da maioria dos brasileiros é, ainda hoje, a poupança. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) divulgou que, no ano de 2019, 84,2% dos investidores brasileiros utilizaram a poupança como principal forma de investimento.

Poupança essa que, sim, já teve os seus dias de glória. Em 1997, chegamos a ter quase 17% ao ano de retorno! No mesmo ano, a Taxa SELIC fechou em
37,47%! Com certeza um dos períodos de maior atratividade não só para a poupança, mas para toda a renda fixa.

No entanto, o cenário econômico mudou. Hoje, temos um cenário muito desfavorável para permanecer investindo na poupança. Vamos analisar esse cenário usando a Lei 8.177/91, que prevê que a remuneração da poupança deve ocorrer da seguinte forma:

– 0,5% ao mês, quando a SELIC for maior do que 8,5% ao ano;

– 70% da SELIC quando ela está menor do que 8,5%.

Pois bem. O COPOM (órgão do Banco Central que define a Taxa SELIC) noticiou, em 05/08 agora, que a SELIC passa a ser de 2% ao ano. Este é o seu menor percentual em toda a história.

Considerando a Lei, portanto, o rendimento da poupança ficará em 70% de 2%. Ou seja: apenas 1,4% em todo um ano! Isso significa que, se você colocar R$ 100,00 hoje na poupança, daqui um ano terá a “expressiva” quantia de apenas R$ 101,40!

Ao mesmo tempo, a inflação continua tornando os preços das mercadorias mais altos. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada foi de 2,31%. Ou seja: os produtos que você comprava por R$ 100,00 há um ano, hoje custam R$ 102,31.

Agora compare: em um ano, você ganhou R$ 1,40 na poupança. No entanto, o que você comprava ficou R$ 2,31 mais caro no mesmo período. Assim, você não conseguirá mais comprar as mesmas coisas de antes, mesmo investindo seu dinheiro na poupança! Isso se chama “perda do poder de compra”.

Entendo que dificilmente o Brasil retornará às altíssimas taxas de juros de antes. No entanto, é possível que o cenário possa mudar um dia e a poupança volte a valer a pena. Porém, hoje, ela comprovadamente te faz perder dinheiro.

Vale, então, buscar alternativas para seus investimentos, a fim de não perder cada vez mais o seu poder de compra. Por aqui, estarei dando dicas para que você se sinta confortável em sair da poupança e possa melhorar a sua situação, cuidando de seu dinheiro sabiamente.

Colunista Bia Felippini. Acompanhe mais dicas sobre educação financeira. @biainvest

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