Dia 1º de outubro comemora-se o dia mundial do saquê. Saiba como surgiu esta bebida que os brasileiros gostam

Uma das mais belas expressões da cultura japonesa é comemorada em 1º de outubro com o Dia Mundial do Saquê. Uma bebida milenar e cheia de mistérios sobre a sua origem, com a única certeza de que começou no Japão e foi descoberto por acaso. Há cerca de 2000 anos, um camponês teria deixado um tonel de arroz destampado, estragando o alimento.

Para evitar o desperdício e como punição pelo ocorrido, o fazendeiro informou ao seu funcionário de que aquele arroz seria o seu pagamento do mês. Sem alternativa, o camponês levou o mingau para casa e, depois de algumas colheradas, percebeu algo diferente e alcoólico.

Com o tempo, os produtores foram aprimorando o processo de fabricação da bebida e o saquê, como conhecemos hoje. Celso Ishiy, maior especialista em saquê do país e diretor da Tradbras, conta algumas curiosidades sobre essa bebida milenar.

  • O Saquê é uma bebida feita a partir da fermentação do arroz
  • Durante a II Guerra Mundial, as plantações de arroz foram devastadas e o governo determinou que se colocasse álcool para diluir o saquê e render mais, além de baixar o preço. Quando o governo permitiu parar com isso, nenhum produtor queria voltar à antiga produção;

  • Nos anos 70, foi descoberto que um pouco de álcool em alguns tipos de saquês ajudava na fermentação e ressaltava determinados sabores;

  • Os principais fatores para determinar a qualidade do saquê são: qualidade do arroz, polimento do arroz, participação do mestre de produção (toji) no processo;

  • Existem mais ou menos 130 tipos de arroz para saquê no Japão. Muitos são feitos de mistura de mais de um tipo;

  • Yamadanishiki é considerado por muitos o melhor tipo de arroz para saquê no mundo;

  • Saquês super premium aproveitam 60% ou menos do grão de arroz;

  • No Japão hoje existem aproximadamente 1400 fábricas de saquês (Kura).

  • O número de exportação do saquê cresce a cada ano. Mas apenas 3% da produção da bebida são vendidos para outros países;

  • Os japoneses usam pequenos copos de vidro ou de cerâmica chamados choko;

  • O saquê no Japão nunca é serviço para si mesmo, sempre servido ao próximo;

  • Saquês podem ser tomados a qualquer temperatura. Mas os mais elaborados podem perder alguns elementos ao ser esquentados por serem muito suaves. Já os produtos mais alcoólicos e super secos podem responder bem ao aquecimento.

Conheça sete formas de harmonização de pratos com o saquê:

Pratos leves – pode ser harmonizado com ginjo e daiginjo para apreciar o saquê. Exemplos: saladas, grelhados de carne branca, carpaccio, massas sem molhos encorpados.

Pratos salgados – pode ser harmonizado com saquês levemente doces. Mas se o salgado for acentuado, recomenda-se um saquê mais seco, do tipo junmai. Exemplos: peixe assado, massas de molho vermelho, que podem ser servidos com saquê do tipo nigori (mais encorpado).

Pratos cítricos – Harmoniza-se com saquês mais doces como nigori (mais encorpado) ou honjozo. Exemplos: Ceviches, sunomono.

Pratos temperados e oleosos – Normalmente harmoniza-se com saquê junmai. Entretanto, o corpo leve do saquê honjozo pode “quebrar” a oleosidade. Exemplos: o churrasco pode combinar com um nigori, junmai, honjozo seco. Para quem prefere reduzir a gordura pode harmonizar com um honjozo extra dry.

Pratos aromáticos – Harmoniza-se com saquê aromático, o suficiente para que se sobressaia da comida.

Pratos encorpados – Harmoniza bem com saquê encorpado e sabor de forte presença. Exemplos: carne de panela mineira e feijoada podem ser acompanhados do saquê nigori, que é mais encorpado e realça o sabor acentuado destes pratos.

Pratos doces – Podem ser harmonizados com saquê seco para destacar a doçura da comida – como nos casos da sobremesa. Também pode ser harmonizado com saquê doce para que a comida não fique enjoativa.

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Conteúdo e Foto – Revista Travel 3

Por Antonio Euryco

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