Exposição “Fragmentos do Ser e do Sentir” convida o público a refletir sobre o quanto o ser humano é fragmentado – tanto individualmente quanto na vivência coletiva

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Repensar-se e Reconstruir-se. Os verbos que sugerem um intenso e desafiador movimento interno – particular e individual – alinhava a estrutura e a proposta da exposição “Fragmentos do Ser e do Sentir”, mostra que reúne pinturas, esculturas e instalação de seis artistas visuais no espaço da Casa Abaeté (Rua Visconde de Abaeté, 820), em Ribeirão Preto.A abertura será no dia 13 de maio e integra a programação de comemoração dos 30 anos do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), e do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A mostra estará aberta à visitação de 14 de maio a 11 de junho. Entrada gratuita.


Adriana Amaral, Ana Rey, Cynthia Loeb, Jussara Marangoni, Simone Fontana e Suzana Mello e Souza apresentam, nesta mostra coletiva, um convite à reflexão acerca do que é o ser diante de sua modelagem fragmentada. A exposição também remete às rupturas e incertezas que varreram o mundo nos últimos dois anos e instiga a reflexão sobre como se organiza a reconfiguração humana depois do caos. “O olhar para si é o ponto de convergência entre os trabalhos, revelando o que nos aproxima e o que nos difere”, comenta a jornalista e pesquisadora de arte, Carollina Lauriano, curadora da exposição.


Toda a produção que compõe a mostra foi concebida no período mais severo do isolamento social imposto pela pandemia, absorvendo a incompletude humana, escancarada pelos rompimentos e fragmentações na forma de ser e de sentir. “O diálogo entre as linguagens presentes na mostra vai além da técnica. A pesquisa de cada artista vai de questões do feminino à natureza, passando por pontos formais da arte e desembocando na investigação sobre como essas abordagens aparecem na percepção de mundo que cada uma possui nesses tempos incertos e instáveis que ainda estamos vivenciando”, detalha Carollina Lauriano.

Olhar plural

A necessidade de reconfiguração do olhar humano, das formas de apreensão do mundo, das coisas e de si próprio é a principal abordagem que as artistas entregam por meio de “Fragmentos do Ser e do Sentir”. Tudo muito íntimo, mas, também, tudo muito coletivo. Nessa esteira, a proposta da instalação de Suzana Mello e Souza abre a conversa com o público ao colocar em destaque o que há de mais íntimo para todos: a casa.  Durante o isolamento, a artista ficou mais atenta a tudo que a cercava e começou a desenhar a partir de objetos que normalmente passam despercebidos no dia a dia – “lembrando que, na falta do outro, é necessário buscar afeto nas pequenas partículas do cotidiano”, pontua a curadora da mostra.

Formada em Comunicação Visual pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Suzana Mello e Souza também estudou desenho e pintura, e sua pesquisa e produção artísticas tratam da observação das imagens poéticas do cotidiano, que são aplicadas ao desenho, pintura, colagem e objetos.

As aquarelas da argentina Ana Rey, por sua vez, conduzem os visitantes pelo caminho do questionamento sobre ainda ser possível viver num mundo tão racional e restritivo. As informações dos trabalhos de Ana surgem desencontradas, rompendo com uma forma única de ordem social. Formada em Letras, a artista vive e trabalha em São Paulo há quase 30 anos e coleciona diversas exposições individuais no Brasil e uma participação em mostra coletiva no Chile, além de vários prêmios.

A desconstrução do feminino em suas formas para revelar essa força em outras potências dá o tom do trabalho de Cynthia Loeb, dona de olhar apurado extraído da formação em Educação Artística.  A artista foi premiada no Salão de Arte Contemporânea de Praia Grande em 2021.

Dentro desse mesmo contexto, Adriana Amaral traz uma leitura diferente sobre a reconstrução da subjetividade feminina, conectando-a com a natureza e seu entorno, retratando a mulher que quer ser livre de conceitos que não as comportam mais. Essa simbologia das transformações femininas ganham um caráter orgânico com as mudanças sofridas – durante a permanência da exposição – pelos pedaços de plantas, flores, pequenos insetos e pássaros que completam os moldes utilizados pela artista.

Formada em Zootecnia, Adriana Amaral trabalha com artes visuais desde 2003, tendo a pesquisa sobre o corpo, a memória, o feminino e pequenos afetos como seu objeto central. Seus trabalhos integram acervos públicos em museus de Ribeirão Preto, Campo Grande (MT) e Jataí (GO), além de exposições individuais e coletivas. Artista contemplada em 2014 com o Prêmio Artes Visuais – Proac. Desde 2016, a artista coordena a Casa Abaeté.

Elos e transformações

A metamorfose entre o físico e o natural, buscando um elo com o que existe de mais primitivo e embrionário no ser humano, baliza os trabalhos das artistas Jussara Marangoni e Simone Fontana Reis. Aqui, o convite é para a reflexão sobre a forma do olhar que a humanidade tem sobre o mundo e sobre as coisas e, ainda, sobre como é o impacto afetivo produzido por esse foco. “Isto é muito relevante porque as novas possibilidades de existência individual é que nos ajudam a estabelecer novas formas de viver coletivamente”, pondera Carollina Lauriano, curadora da exposição.

Também graduada em Artes pela Faap e com mestrado em Design pela Unesp, Jussara Marangoni foi recentemente contemplada com o Prêmio Aldir Blanc por meio da Lei de Incentivo a Projetos Culturais, possui um prêmio Funarte e é professora de Artes com passagens por universidades como Mackenzie, FAAP, Santa Marcelina, Belas Artes e PUC de São Paulo.

No trabalho de Simone Fontana Reis, artista com mestrado pela Central Saint Martins College of Art and Design, de Londres, as fronteiras entre pintura, escultura, instalação e vídeo são exploradas sem economia. O resgate de elementos da história ameríndia é o centro de sua pesquisa artística, sempre com foco no feminino e na maneira como as culturas indígenas se relacionavam com a natureza.

Recentemente, Simone inaugurou o projeto Maloca-Escola e Floresta, junto com índios Huni Kuins, no Acre, que tem o objetivo de melhorar as condições de vida daquela população, fortalecer sua cultura, a proteção da floresta e o reflorestamento. Sua pesquisa atual relaciona sua própria produção, a inteligência da floresta e o mistério da Ayahuasca, bebida sagrada para os índios.

A exposição “Fragmentos do Ser e do Sentir” é realizada em parceria com o MARP (Museu de Arte de Ribeirão Preto), Casa Abaeté, Secretaria da Cultura e Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e conta com apoio da Uberhaus Móveis e Ambientes Planejados. O evento reforça a hashtag #RP1922, dentro da programação em comemoração aos 100 anos da Semana de Arte Moderna. A visitação gratuita à mostra poderá ser realizada entre 17 de maio e 11 de junho, às terças e quintas-feiras, de 10h às 12h e de 14h às 18h; e aos sábados, de 10h às 13h. Informações pelo telefone 16 | 99188-3395.

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