Já em exibição no Cinemark, Dolittle e O Chamado da Floresta promete encantar famílias 

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De tempos em tempos, Hollywood se volta aos clássicos da literatura infanto-juvenil como sua fonte de inspiração. O fato de novos filmes de Dolittle e O Chamado da Floresta terem sido lançados na mesma época não é mera coincidência: histórias com animais-protagonistas-pensantes sempre funcionaram bem nas páginas dos livros, ainda mais se foram gerados em épocas mais puras e inocentes — ou há mais cem anos, no caso das duas obras citadas acima. E agora que a tecnologia permite grandes feitos com a computação gráfica, parece natural que essas tramas fabulosas ganhem vida nova nas telonas.


Dolittle é baseado em uma série de livros de Hugh Lofting lançada a partir de 1920, sobre um excêntrico médico britânico que tem a capacidade de se comunicar com os animais. Mas isso você provavelmente já sabe, porque vimos esse personagem nas telas há não muito tempo — as versões contemporâneas estreladas por Eddie Murphy em 1998 e 2001 até deixaram boas lembranças. Porém, esta nova tentativa, com Robert Downey Jr. no papel-título, retorna à Era Vitoriana da história original, o que o torna mais próximo de um reboot do primeiro longa sobre Dolittle — este, um confuso musical lançado em 1967

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Para começar, é quase um alívio lembrar que as qualidades de atuação de Downey Jr. vão muito além do enfado calculado de Tony Stark, ainda que os traços da personalidade do mais bilionário dos Vingadores sejam percebidas em seu Dolittle — especialmente na capacidade de só agir de acordo com suas regras e ignorar o mundo ao redor. Com menos carisma (e sem uma armadura incrementada para contribuir nisso) e um texto mais bizarro para proferir, o ator nos oferece um protagonista difícil de engolir. Desde o primeiro momento, é impossível distinguir seu sotaque e suas reais motivações. Estaria ele fingindo um sofrimento de viúvo e sua misantropia exagerada apenas para irritar as pessoas? Estaria ele entorpecido na maior parte do tempo sem ninguém perceber? É, talvez o Doutor Dolittle não seja assim tão diferente de Tony Stark.


Há menos de duas décadas, obras surrealistas como Dolittle não seriam possíveis da maneira inteiramente digital como são produzidas hoje. Graças à boa qualidade dos efeitos especiais, bastam 15 minutos de filme para esquecermos que animais falantes não existem de fato na natureza. Mas dado um roteiro tão superficial, a credibilidade da fauna de Dolittle depende muito das performances dos atores e atrizes que falam pelos seres digitais. Alguns são até facilmente identificáveis, como Tom Holland (o monótono cão de óculos Jip) e Emma Thompson (Polly, a arara organizada que coloca Dolittle na linha), enquanto outros quase passam batido em suas atuações. Foi um choque descobrir que Rami Malek está no filme (o gorila medroso Chee-Chee), assim como nomes consagrados como Ralph Fiennes (o tigre neurótico Barry), Octavia Spencer (a pata sem noção Dab-Dab), John Cena (o atlético urso polar Yoshi) e Marion Cotillard (a raposa ativista Tutu).


Além de vozes famosas, o filme também desperdiça um bom elenco vivo de nomes como Antonio BanderasJim Broadbent e Michael Sheen (ótimo como o vilão Müdfly), cada um fazendo o melhor possível em atuações exageradas como a história exige. A narração excessivamente professoral de Emma Thompson parece querer compensar a falta de cenas de transição, mas gera um estranho paradoxo: ainda que seja constante a impressão de que o filme passa rápido demais, a trama parece se arrastar sem critério de um local ao outro, embalada por sequências de ação pouco empolgantes, além de repetitivas piadas de banheiro. 


Mas em se tratando de filme com animais que falam sem parar, que fique claro que em Dolittle não há um desastre próximo ao que foi Cats: há bem menos pretensão e muito mais boas intenções em agradar um público mais amplo e menos exigente. Aparentemente o foco aqui são as crianças de cabeça aberta, que talvez ignorem os defeitos, abracem a estranheza e se divirtam bastante com uma aventura superficial que jamais se dá ao trabalho de dificultar. No mais, é um produto feito para ser absorvido sem culpa em uma sessão encharcada de pipoca… e esquecido antes mesmo de se chegar em casa.

Conteúdo Adoro Cinema 

 
 

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