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Granja Comary: casa da Seleção Brasileira há 30 anos

Escrito porRedação Wsports 24 24America/Sao_Paulo Abril 24America/Sao_Paulo 2017
A Seleção Brasileira é bem recebida em qualquer lugar do mundo. Nos quatro cantos do Universo tem quem conheça a glória que representa a Amarelinha. E do ano de 1987 para cá, a Canarinho passou a ter uma casa: a Granja Comary.
Localizado na cidade de Teresópolis, na Região Serrana no Rio de Janeiro, o Centro de Treinamento, cercado por muito verde e com uma tranquilidade que só a natureza pode proporcionar, foi inaugurado em janeiro daquele ano e o bairro, que passou a ser batizado como Granja Comary no dia 21 de abril, completa 30 anos nesta sexta-feira. Desde que foi inaugurado, o CT é uma ferramenta de integração entre jogadores e torcida e ajudou no desenvolvimento da região. Com muitos craques que passaram e continuam sendo revelados na casa da Seleção Brasileira, o local é um marco na história da localidade, sendo um ponto turístico e servindo como cenário para grandes histórias, que os antigos funcionários contam com grande satisfação.
Ao longo desses 30 anos, a Granja recebeu as Seleções Brasileiras de diversas categorias e, claro, precisou se modernizar para acolher e formar os grandes craques. A maior mudança foi a reforma para a Copa do Mundo de 2014, iniciada em 2013. O local teve como referência os mais modernos centros de preparação de clubes e seleções do mundo.
Todo este conforto do complexo hoteleiro oferecido aos atletas só é possível graças ao trabalho dos colaboradores da CBF, como Sebastião Neves e Josenildo Brito. Completando o 19º ano de trabalho na Granja Comary, Seu Tião, como é conhecido, é responsável pela manutenção dos vestiários, academia e outras áreas internas. Desde 1998 na função, o profissional lembra com carinho da interação com atletas das Seleções Masculina e Feminina, principal e de base, e revela um dos motivos por ser tão querido por eles: o cafezinho.
– Esses atletas que hoje estão na Seleção Principal e passaram pela base, como o Philippe Coutinho, o Ronaldinho Gaúcho, que conheci desde a base… É muito bom trabalhar com eles, estão sempre brincando com a gente. O Ronaldinho quando chegava, sempre a primeira coisa que fazia era vir falar comigo. Batia na minha cabeça e perguntava: ‘E aí velho, como está a Granja?’. Coutinho também. Seleção Feminina então, nem se fala! A Maycon, Formiga… Sempre brincam muito comigo, dizem que não faço nada, que tenho de fazer outro trabalho. Essas brincadeiras. Estão sempre tomando o café que preparo, chegam e falam: ‘Tião, arruma aquele cafezinho’. Elas adoram – destaca.
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Ser um colaborador da Seleção Brasileira é um grande orgulho para Tião. O profissional revela como descreve o seu trabalho aos amigos e familiares e mostra muita alegria.
– É muito gratificante trabalhar aqui. Estou desde 1998 e significa muito fazer esse trabalho. Faço a organização do vestiário, levo material do pessoal que vai para o campo, sempre junto com os roupeiros. E quando as pessoas me perguntam sobre meu convívio com os jogadores, falo como é, conto histórias… É muito bom ter isso com os atletas, essa convivência. É uma satisfação grande. Brincam, saem abraçados comigo por aí. É ótimo para mim! – acrescenta.
Brito é responsável por uma das principais ferramentas de trabalho dos jogadores: o gramado. Para garantir que os cinco campos da Granja estejam nas condições ideais e possam ser chamados de tapetes, como se diz na gíria do futebol, o profissional coordena uma equipe e trabalha de forma árdua. Ele descreve como administra a função para alcançar o êxito.
– Imagino o campo de futebol como quando alguém é convidado para uma festa, que procura a melhor roupa, o melhor sapato e se prepara para estar bem arrumado quando chegar na festa. Penso que o campo de futebol seja assim para o atleta. A gente faz parte dessa arrumação e faz tudo para quando os jogadores chegarem ao espetáculo, estejam prontos para essa festa – afirma.
Há 23 anos na Granja Comary, Brito também tem suas histórias. A principal delas envolve Taffarel, histórico ex-goleiro e atual treinador dos arqueiros da Seleção Brasileira. O profissional conta porque assistiu à Copa do Mundo FIFA de 1994 cheio de confiança no Tetra da Canarinho.
– Em 1994, no mesmo dia em que eles viajaram para os Estados Unidos para a Copa do Mundo, no final do treino, no campo 2, o Taffarel ficou por último. Aí eu cheguei ali atrás do gol, meio tímido, e falei: ‘Taffarel, felicidade!’. E ele me respondeu: ‘Vamos ganhar essa!’. Ele vai lembrar dessa história. Eu chutei duas bolas para ele, ele deixou passar, ficou rindo e falou que o time traria a vitória. E o Seu Nocaute, o massagista, falou para me preparar que o nosso trabalho seria reconhecido. Fomos campeões e isso me marcou muito – revela.
Estas são algumas das histórias da Granja Comary nos últimos 30 anos. Que venham muito mais acompanhadas de títulos da Seleção!

Foto: Lucas Figueiredo | CBF